Anatoli

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A CONVERSÃO DE PAUL CLAUDEL

ODE de Paul Claudel (1868-1955)

"Ó meu Deus, lembro-me dessas trevas em que estávamos face a face; nessas sombrias tardes de inverno em Notre-Dame. Eu, sozinho, bem no fundo da igreja, alumiando a face do grande Cristo de bronze com uma vela de cinco vinténs. Todos os homens estavam contra nós – a ciência, a razão – e eu não respondia nada. Só a fé estava em mim, e eu Vos olhava em silêncio; como um homem que prefere o seu amigo.”

Por Anatoli Oliynik
Estamos no mês de dezembro de 2012. Século XXI. Terceiro milênio. Não vou falar de coisas pagãs tais como Papai Noel que no ideário popular substituiu Nosso Senhor Jesus Cristo de quem poucos se lembram, mesmo neste mês em que se comemora simbolicamente a data de seu nascimento.
Vou falar de um ato de conversão. A conversão de Paul Claudel descrita por ele mesmo. Nada mais apropriado para que cada um de nós possa fazer uma profunda reflexão sobre o modo de vida que estamos vivendo.
Tudo começa no ano 1 da nossa era. Esta história começa exatamente mil oitocentos e oitenta sei anos depois que brilhou a estrela de Belém e nosso Senhor Jesus Cristo habitou entre nós para mostrar-nos o caminho, a vida e a salvação.



A noite de Natal do dia 25 de Dezembro de 1886
"Assim se passavam as coisas com aquele pobre rapaz que, no dia 25 de Dezembro de 1886, entrava na catedral de Notre-Dame de Paris, para ali assistir ao ofício divino do Natal. Começava eu então a escrever, e tive a impressão de que poderia, com superior diletantismo, encontrar nas cerimônias católicas, um meio adequado e matéria para alguns trabalhos. Nesta disposição de espírito, apertado e empurrado pela multidão, assisti à Missa cantada, com moderada alegria. Como nada mais interessante havia a fazer, voltei de novo à tarde para assistir às Vésperas. Os meninos do coro da catedral, de roquetes brancos, e os alunos do Seminário de S. Nicolau du Chardonnet, que os auxiliavam, tinham justamente começado a cantar qualquer coisa em que mais tarde reconheci o Magnificat. Eu estava de pé no meio da multidão, junto da segunda coluna, perto da entrada para o coro, à direita, do lado da sacristia.



E ali se deu o acontecimento que domina toda a minha vida. Num momento, o meu coração sentiu-se tocado, e tive fé. Tive fé com tal intensidade de adesão, com tal exaltação de todo o meu ser, com uma convicção tão poderosa, com tal segurança, que não ficava margem para nenhuma espécie de dúvida. E, desde então, todos os livros, todos os raciocínios, todas as eventualidades de uma vida agitada não conseguiram abalar a minha fé; mais do que isso, nem sequer conseguiram tocar-lhe. Subitamente, apoderou-se de mim o sentimento fremente da inocência, da perpétua filiação divina: uma revelação inefável. Quando tento reproduzir, como faço frequentemente, o decorrer dos minutos que se seguiram a este momento excepcional, encontro sempre os seguintes elementos que, todavia, representam um único raio, uma única arma, de que a Providência divina se serviu para alcançar e abrir o coração de um pobre filho desesperado: «Que felizes são, de fato, os que crêem! E se fosse verdade? verdade! — Deus existe; está aqui presente! É alguém! É um ser tão pessoal como eu! — Ama-me! chama por mim!» Invadiram-me as lágrimas e os soluços e o cântico tão delicado do «Adeste» aumentou ainda a minha comoção."
O leitor deve estar se perguntando: Quem foi Paul Claudel? Foi um diplomata, dramaturgo e poeta francês, membro da Academia Francesa de Letras e galardoado com a grã-cruz da legião de honra. Foi um ateu que se converteu ao cristianismo e escolheu a Santa Igreja Católica como abrigo de sua nova morada. Alguém cuja soberba não subiu-lhe à cabeça, que foi tocado pelo espírito da fé e da humildade "alumiando a face do grande Cristo de bronze com uma vela de cinco vinténs". Que passagem magnífica !!!

Vejam que depoimento mais puro "Todos os homens estavam contra nós... e eu não respondia nada... Só a fé estava em mim, e eu Vos olhava em silêncio; como um homem que prefere o seu amigo." Uma declaração para verter lágrimas dos nossos olhos e tocar o fundo de nossa alma.

Neste mês de dezembro comemora-se os 2012 anos de nascimento daquele que foi impiedosamente pregado numa cruz e que fora preterido em troca de um ladrão e assassino: Barrabás. Mesmo tendo passado dois milênios, a grande massa não aprendeu absolutamente nada, continua preferindo Barrabás; grita por Barrabás; ovaciona Barrabás e clama por Barrabás.

Parece que nada mudou para muita gente !

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